Cenário: domingo a noite. A casa estava suja e fedia. E nós, estávamos
com a cara de derrota de quem bebeu pra caralho na noite anterior, passou o
domingo se sentindo uma ameba, e agora, começa a refletir sobre
a existência. Os três. Ressacados, embrulhados e se perguntando o porquê disso.
Sentamos na varanda, cada um ascende seu cigarro, eles fumam de palha, eu de
filtro, a fumaça sobe e dá um pouco de alívio no peso da cabeça. Buscamos um
assunto, mas claro, não dá pra fugir da noite anterior. Legais que somos, cada
um se ocupa de lembrar do outro das maiores merdas feitas. E ai começa aquela
espécie de disputa.
-Cara, você tava muito louco! Subiu no palco pulou na galera!
-É eu tava louco mesmo, mas e você? Que sumiu por duas
horas, ficamos te procurando feito doidos! Onde você estava? Mandando mensagens
pra todas as suas ex da história. Olha aí o seu celular!
Todos riem, faz-se silêncio.
-Cara eu também tava muito ruim. Parei num grupo de gente
que eu nem conheço e comecei a falar de política! Não sei que rumo a conversa
tomou, que eu comecei a chorar, o grupo era de psicologia, ficaram me
analisando e falando da minha família.
-Pô, que bad.
-Só.
-Você vomitou no show...
-É, eu sei. Que bad.
-Só.
-Eu também liguei pra ex.
-Sério? Que bad.
-Só
-Eu também liguei pra minha. Bad total mano, só.
Novo silêncio. Nós três havíamos terminado um namoro recentemente.
E, por isso, mas não só por isso, estávamos a nos embriagar nas noites de
sábado, e a morrer de ressaca, nos dias de domingo.
-E você acha que não tem volta?
-Acho que não cara. A gente briga demais. Ela não aceita meu
jeito, eu não aceito o dela, é foda.
-Que bad.
-E você, acha que tem volta?
-To de boa mano. To formando, vou dar linha nessa cidade.
Mulher tem muitas aí no mundo.
-Só
-Nós conversamos hoje, talvez a gente volte. Mas não sei.
Novo silêncio. Apesar disso posso apostar que o pensamento
foi em comum. As nossas noites de fazer merda eram as melhores. Um de nós
debandar do “clube dos solteiros” (ou clube dos largados) faria muita diferença
no time. Terminamos o cigarro em silêncio.
-Vou fazer um café.
-Não cara, pega uma cerveja.
-Sério? Cerveja?
-Cerveja.
-Cerveja.
-Cerveja. Só.
Brindamos a ressaca de domingo com mais uma gelada. A gente queria se abraçar, mas não o fizemos. Certas coisas ficam melhor se subentendidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário