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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Procura-se a Poesia


Diante da folha branca
Peno.
Sinto,
Mas não rimo.
Rabisco, apago, amasso
Do papel, já foi um maço.
(E se fosse folha de outra cor?)
Arrisco-me no teclado do computador.
Nada.
ELA
Está aqui em algum lugar que eu sei.
Onde mais estaria?
Brinca de esconder
Brincadeira sem graça eu diria.
Mas eu ainda te acho.
E te racho e desabrocho-te.
E te imprimo e exponho na rede.
E pra não ter risco,
Te decoro e declamo mil vezes.
H.M

sábado, 11 de abril de 2015

Agridoce

Escrever é despir-se.
Expor-se em praça central
Diante de uma lupa
Nua.
Corpo virado do avesso
Agonizante em suas palavras derradeiras
Obsceno e ruborizado.
Se coloca nas entrelinhas
Vira estrofe.
Verso,
Paragrafo.
Eu lírico na terceira pessoa.
Rima nenhuma
Ou Palavra costurada
Brota ao acaso,
Atravessa o grafite
(ou outro instrumento de tortura)
Antes de carimbar o interior das veias.
E libertar as palavras interiores não é uma opção,
É um ato de desespero.
Epilético
Inevitável
inadiável.
Escrever Dói,
Sangra.
Mas, só quem já praticou
Tamanho ato exibicionista
De deixar-se, tocar e sentir
Através das Sentenças de si,
Sabe que ao paladar,
Se faz agridoce.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

22 e 23

Um vinho
Um trago
Um beijo

22 e 23
Horas,
Idades.

Um cheiro [na nuca]
Um trago [na vela]
Um carinho [entre as pernas]

23 e 22
Horas e idade

A hora passa lenta
A idade não corre,
Voa.
Língua na tua boca

Pão sem queijo
Três goles
E trago três.

Mão nas mãos
Rosto a rosto
Coxas entrelaçadas

Meia noite
Novo brinde

As memórias que costuramos soltas

Dessa hora que não teremos de volta

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ela já foi sozinha e não é mais.
Encontrou nos seus laços
Motivos pra se cobrir de abraços
Encontrou no seu lar, um motivo a mais pra voltar
Ficar mais um dia
Ou o ano inteiro.
Ela já não vê sentido em caminhar de mãos balançando
Muito mais bonito,
É dançar de mão dadas.
Ela já não deseja mais se espalhar na cama.
Encontrou no seu corpo
Conforto pra se aconchegar.
E nos seus sons, motivo pra pausar a música.
E no seu brilho, uma vontade enorme de viver a luz de velas.
Ela já foi sozinha,
Mas encontrou no seu colo um lugar pra ficar
Aninhar
Demorar
Morar
E na lacuna da sentença esquecida

Escreveu o verbo amar

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Tempo

Se o tempo todo fosse tempo meu
Eu pegava o tempo e transformava em tempo teu

Aumentava o tempo
Juntava o meu tempo e o tempo teu
Fazia o tempo virar tempo meu e teu

Dilatava o tempo todo meu
Como que dilata o corpo teu
Dilatava todos dedos meus
Nos cachos teus

Fazia do tempo
Tempo pequeno

Até que o tempo
E tudo mais que é teu
Costurasse os tempos todos

Em meu e teu

Heloisa Mandareli e Júlia Pires
Abre a janela
Abre os olhos
Abre um sorriso
Me deixe ver se tem sol
Me deixe ver se é de chuva
Teu sorriso molhado
Abre os olhos,
Abre a janela
Me deixa olhar o dia
Me deixa te olhar por dentro
Contar a constelação por detrás
Das órbitas castanhas do seu rosto
Me deixa te ler
Olhar você.
Quero saber se seu olhar sorri.
Me deixa beijar esse teu sorriso.
Sopra ele em mim?
No meu ouvido
Me dá uma parte dele
Me diz
-ainda que for mentira-
Que parte dele
É uma parte de mim.
Carimba seu sorriso na minha boca.
Na minha vida
Por debaixo da roupa.
Abre as janelas pra mim
E faz da janela
Tua vida inteira.
Se abre pra mim
E Faz de mim sua.
Amante,
Companheira.
H.M

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Ontem eu chorei você.
Não tinham ainda muitas horas inteiras,
Eu tinha te absorvido e te transpirado

Mas ontem a noite, sozinha
Eu chorei você.

Qual não foi minha surpresa ao notar tua presença
Em cada gota salgada d’água
E te sentir escorrer pela face

Lenta e doce.
Quase como um carinho
E te sentir se acumular no canto da boca
Como quem se demora por ter coisas demais pra observar ali

Ontem eu chorei você a noite toda.
Pode parecer exagero
Mas acredito que tenha chorado litros de você.

Qual não foi minha surpresa
Ao entender que estás tão em mim
E és tão minha,
E me faz tão sua,
Que pode se materializar em mim
De forma viva
Tocável
Urgente
E tão íntima...

Ontem, enquanto você dormia,
Você nem sabia
Mas estava em mim
Molhando meu rosto,
Meu sono
Meu peito.


Ontem eu chorei você

Heloisa Mandareli